TikTok quer emprestar dinheiro. O que isso revela sobre a nova economia?

Nos últimos meses, uma notícia chamou a atenção do mercado: o TikTok solicitou autorização ao Banco Central para atuar no Brasil como instituição de pagamentos e sociedade de crédito direto, abrindo caminho para oferecer contas digitais, pagamentos e até empréstimos dentro da própria plataforma.

À primeira vista, pode parecer apenas mais uma empresa expandindo seus negócios. Mas, olhando de forma estratégica, esse movimento representa uma transformação muito maior: estamos entrando definitivamente na era em que empresas de tecnologia deixam de competir apenas por atenção e passam a disputar o controle da jornada financeira das pessoas.

A economia mudou

Durante décadas, o modelo era simples.

Os bancos ofereciam crédito.
As redes sociais conectavam pessoas.
As empresas vendiam produtos.

Hoje, essas fronteiras praticamente desapareceram.

O TikTok quer oferecer crédito.
O Mercado Livre possui uma operação financeira robusta.
O Mercado Pago nasceu como meio de pagamento e hoje oferece investimentos, seguros e empréstimos.
A Apple possui carteira digital e serviços financeiros em diversos mercados.
O WhatsApp já permite pagamentos em alguns países e continua expandindo suas soluções financeiras.

Não estamos vendo empresas entrando no mercado financeiro.

Estamos vendo plataformas se transformando em ecossistemas completos.

Quem controla a jornada controla o mercado

O grande ativo da nova economia não é apenas dinheiro.

São os dados.

Imagine a quantidade de informações que uma plataforma como o TikTok possui sobre seus usuários:

  • interesses;
  • comportamento de consumo;
  • horários de uso;
  • localização;
  • perfis de compra;
  • influência de determinados conteúdos nas decisões.

Com inteligência artificial, esses dados permitem compreender padrões de comportamento em uma escala inédita.

O crédito deixa de ser apenas uma análise de renda e patrimônio. Ele passa a considerar comportamento, perfil de consumo e relacionamento digital, sempre dentro dos limites regulatórios aplicáveis. Essa mudança pode tornar a experiência mais personalizada, mas também amplia a importância da governança de dados e da supervisão regulatória.

O crédito deixa de ser um produto

Durante muitos anos, pedir um empréstimo significava entrar em um banco, apresentar documentos e aguardar uma análise.

Na nova economia, o crédito tende a aparecer exatamente no momento da necessidade.

Você assiste a um vídeo sobre um produto.

Compra sem sair do aplicativo.

Paga pelo próprio aplicativo.

E, se necessário, recebe uma oferta de parcelamento ou crédito instantaneamente.

Tudo acontece em poucos segundos.

O crédito deixa de ser um serviço isolado e passa a fazer parte da experiência do consumidor.

O que isso significa para as empresas?

Essa transformação também muda a forma como as empresas competem.

No futuro, não vencerá apenas quem tiver o melhor produto.

Vencerá quem oferecer a melhor experiência.

Empresas que dominarem dados, inteligência artificial, automação e integração financeira terão uma vantagem competitiva significativa.

Isso vale para grandes plataformas, mas também para pequenas e médias empresas.

Negócios que conhecem seus indicadores, utilizam tecnologia para tomar decisões e acompanham seus clientes com inteligência conseguem responder mais rapidamente às mudanças do mercado.

A principal lição

A notícia sobre o TikTok não é, na essência, sobre empréstimos.

É sobre estratégia.

O futuro pertence às empresas que conseguem integrar conteúdo, relacionamento, pagamentos, crédito e dados em uma única jornada.

Enquanto muitas organizações ainda enxergam o financeiro apenas como uma área operacional, as empresas mais inovadoras entendem que a gestão financeira é uma ferramenta estratégica para crescimento, previsibilidade e tomada de decisão.

A pergunta que fica não é se o TikTok vai se tornar uma instituição financeira.

A pergunta é: sua empresa está preparada para competir em uma economia onde tecnologia, dados e finanças caminham juntos?

Escrito por:

Thiago W. Fagundes

CEO Finsafe Assessoria estratégica Financeira

CFO Associação Comercial e Industrial do Oeste Catarinense

Sócio Investidor Grana Capital, Grana Smart, SuperOpa e SMU Investimentos